Acordo Comercial Histórica entre União Europeia e Índia
Pacto visa impulsionar comércio bilateral e reduzir tarifas sobre bens

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Na última terça-feira (27), a Índia e a União Europeia assinaram um acordo comercial considerado histórico após quase 20 anos de negociações. O pacto estabelece a redução ou eliminação de tarifas sobre a maioria dos bens comercializados entre as duas economias, com o objetivo de estimular o comércio bilateral e diminuir a dependência de ambos em relação aos Estados Unidos, em um contexto de tensões comerciais globais crescentes.
Segundo informações da União Europeia, este acordo pode potencialmente dobrar as exportações da UE para a Índia até 2032. O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, destacou a importância do pacto, referindo-se a ele como a 'mãe de todos os acordos', e enfatizou que trará significativas oportunidades para os 1,4 bilhão de habitantes da Índia e para milhões na Europa.
De acordo com os termos do acordo, a Índia se compromete a reduzir tarifas sobre aproximadamente 96,6% dos bens europeus, resultando em uma economia estimada de 4 bilhões de euros em tarifas para as empresas da UE. Em contrapartida, a União Europeia eliminará tarifas sobre 99,5% dos produtos importados da Índia, em um processo gradual que se estenderá por sete anos.
Os produtos que se beneficiarão do acordo incluem têxteis, couro, produtos químicos, borracha, metais básicos e joias. No entanto, itens agrícolas sensíveis, como carne bovina, arroz, açúcar e laticínios, foram excluídos do pacto.
Um dos aspectos centrais do acordo é a abertura gradual do mercado indiano, que historicamente é protegido. As tarifas sobre veículos europeus serão reduzidas de até 110% para 10% ao longo de cinco anos, dentro de cotas anuais, beneficiando montadoras como Volkswagen, Renault, Mercedes-Benz e BMW.
A Índia também se comprometeu a diminuir tarifas sobre vinhos, bebidas alcoólicas, máquinas, equipamentos elétricos, produtos químicos e aço, ampliando o acesso de empresas europeias a setores considerados estratégicos.
O progresso nas negociações foi impulsionado por disputas comerciais globais e tarifas recentes impostas pelos Estados Unidos à Índia. O acordo ainda precisa passar por uma revisão legal e a expectativa é que entre em vigor dentro de um ano.
No entanto, o pacto pode enfrentar resistência política na Europa, semelhante ao que aconteceu com o acordo Mercosul-União Europeia. Além disso, não houve alívio imediato para empresas indianas impactadas pelo imposto de carbono europeu (CBAM). A União Europeia, por sua vez, prometeu flexibilidade futura e anunciou um apoio financeiro de 500 milhões de euros para ajudar a Índia a reduzir as emissões de gases de efeito estufa.