sábado, 7 de março de 2026
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Ausência de Abiove e Tradings no site da Moratória da Soja gera debate sobre impactos

Especialista acredita que repercussões para o Brasil serão limitadas

Negócios2 min de leitura

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Foto: Embrapa Soja

A recente atualização no site da Moratória da Soja, que não lista mais a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e 19 tradings associadas, levanta questões sobre o futuro do pacto ambiental. A associação não confirmou oficialmente sua saída do acordo.

Essa mudança ocorre em um contexto onde a nova legislação de Mato Grosso, que entra em vigor em 1º de janeiro, possibilita a retirada de incentivos fiscais para empresas signatárias da moratória. Entretanto, a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) e outras dez empresas que atuam na comercialização de soja permanecem na lista do pacto.

O governo de Mato Grosso deve emitir um comunicado abordando a situação na próxima segunda-feira (5).

Daniel Vargas, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) e especialista em direito ambiental, avalia que as consequências do fim da Moratória da Soja nas exportações brasileiras não devem ser significativas. "As grandes traders provavelmente irão reorganizar suas operações em vez de se retirarem do Brasil", afirma.

Entretanto, Vargas alerta que essa situação pode impactar a percepção do agronegócio brasileiro no mercado internacional, que enfrenta críticas, principalmente de países da Europa. As questões ambientais continuam sendo um obstáculo nas negociações do acordo entre Mercosul e União Europeia.

O especialista também menciona que a descredibilização das ONGs na Europa pode ter influenciado na atual “repolitização” do tema, dificultando acordos. Ele sugere que, embora o acordo Mercosul-UE tenha potencial para criar oportunidades, sua indefinição gera incertezas. O fortalecimento de regras públicas, com a complementação de certificações privadas, é visto como uma tendência necessária para o futuro.