quinta-feira, 1 de janeiro de 2026
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Brasil enfrenta riscos na liderança do café solúvel devido a tarifas e reforma tributária, alerta Abics

Setor clama por ações governamentais mais rápidas para preservar mercados estratégicos em 2026

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Café, xícara de café, café solúvel

Foto: Freepik

O Brasil, reconhecido como um dos líderes mundiais na produção e exportação de café solúvel, encerrou 2025 sob pressão significativa. Tarifas implementadas pelos Estados Unidos, a falta de novos acordos comerciais e modificações na tributação impactaram a competitividade do café brasileiro.

Para 2026, o setor solicita respostas ágeis do governo para evitar a perda de mercados-chave. A afirmação é de Aguinaldo José de Lima, diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics).

De acordo com Lima, 2025 começou com expectativas otimistas, mas o cenário se deteriorou ao longo do ano, especialmente devido ao tarifário dos Estados Unidos. O ano anterior havia sido recorde para o setor, com mais de US$ 1 bilhão em exportações para mais de 100 países.

Até junho de 2025, as exportações aumentavam cerca de 5% em relação ao mesmo período do ano anterior. Contudo, com a imposição das tarifas, as perdas se tornaram mais acentuadas no segundo semestre, chegando a uma queda de 72% em novembro em comparação ao mesmo mês de 2024. A Abics estima um recuo de 9% no volume exportado ao final de 2025, revertendo os números para níveis de dois anos atrás.

Embora o faturamento do café solúvel brasileiro deva permanecer acima de US$ 1 bilhão, sustentado por preços elevados, Lima alertou que esse resultado financeiro não compensa as perdas em volume. Ele expressou preocupação de que outros fornecedores possam ocupar o espaço deixado pelo Brasil no mercado.

As tarifas elevadas, que se mantêm em 50% para o café solúvel nos Estados Unidos, enquanto o café em grão e torrado não tem tarifa, são um ponto crítico. Lima destacou que essa relação histórica com os EUA, que perdura há mais de 60 anos, está em risco.

Outro fator que gera frustração é a falta de acordos entre o Mercosul e a União Europeia, que poderia ter permitido uma redução gradual da tarifa de 9% ao longo de quatro anos. Esse cenário limita as opções do Brasil, que possui poucos acordos comerciais e enfrenta competição desigual.

Na Ásia, onde o consumo de café solúvel cresce anualmente cerca de 6%, o Brasil também está perdendo espaço para países como Vietnã e Indonésia, que se beneficiam de acordos regionais com tarifas zero entre si.

A reforma tributária também impacta negativamente a rentabilidade do setor, com a perda gradual do crédito presumido de 7,4% de PIS/Cofins, que era um recurso para recuperar impostos na cadeia produtiva.

O setor aguarda uma postura mais proativa do Brasil nas negociações comerciais em 2026, com a expectativa de que o governo implemente acordos bilaterais e reduções de tarifas que ajudem a manter a competitividade do café solúvel brasileiro no mercado internacional.