Brasil irá sugerir à China assumir cotas de países que não as cumprirem
Proposta visa permitir que o Brasil absorva volumes não utilizados de carne bovina sem tarifas adicionais

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O Brasil apresentará à China uma proposta de flexibilização nas cotas de importação de carne bovina que estão isentas de tarifas adicionais, conforme as medidas de salvaguarda anunciadas pelo governo chinês na última quarta-feira (31).
Segundo o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, a proposta permitirá que o Brasil assuma as cotas não cumpridas por outros países. "As cotas foram estabelecidas de maneira igual para todos, baseadas na participação de mercado dos últimos três anos. Vamos tratar com a China a possibilidade de que, se um país não cumprir sua cota, o Brasil possa assumir essa responsabilidade. Por exemplo, os Estados Unidos não exportaram carne à China em 2025", explicou.
As discussões sobre essa alternativa ocorrerão ao longo de 2026. Fávaro destacou que, se o preço e a qualidade da carne brasileira forem competitivos, isso ajudará a conter a inflação de alimentos na China. "Teremos um ano de muito diálogo e negociação, pois não se trata de uma solução imediata e não afetará os produtores brasileiros", acrescentou.
O governo chinês, por sua vez, anunciou a implementação de cotas específicas por país para a importação de carne bovina, com uma tarifa adicional de 55% para volumes que excederem as quantidades estipuladas. Essas medidas, comunicadas pelo Ministério do Comércio da China, entraram em vigor em 1º de dezembro e permanecerão em vigor por três anos, até 31 de dezembro de 2028.
Em 2026, o Brasil terá uma cota de exportação de 1,106 milhão de toneladas isentas de tarifas adicionais, aumentando para 1,128 milhão em 2027 e 1,154 milhão em 2028. Até novembro deste ano, o Brasil já havia exportado 1,499 milhão de toneladas de carne bovina para a China, totalizando US$ 8,028 bilhões.
A Argentina terá uma cota de 511 mil toneladas, enquanto o Uruguai contará com 324 mil toneladas, e outros países como Nova Zelândia, Austrália e Estados Unidos terão cotas menores.
Fávaro ressaltou que a cota de 1,106 milhão de toneladas permitirá ao Brasil avançar nas negociações e que não houve surpresa em relação às medidas chinesas, já que o tema vinha sendo discutido bilateralmente ao longo do último ano. "A relação Brasil-China é baseada na confiança mútua e amizade. A salvaguarda visa proteger os criadores locais, e estamos trabalhando para garantir a continuidade do comércio", afirmou.
O ministro também defendeu que não há impacto relevante no mercado nesse momento, destacando que o Brasil está preparado para enfrentar desafios comerciais, tendo aberto 29 novos mercados para a carne bovina nos últimos anos, incluindo México, Vietnã e Malásia. A expectativa é que o mercado japonês seja aberto para a carne brasileira em março do próximo ano.
Por fim, Fávaro descartou a possibilidade de acionar a Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as medidas chinesas, enfatizando que o Brasil mantém uma excelente relação com a China e que tudo foi tratado em um espírito de