Cerimônia de Lula sobre democracia tem baixa participação de opositores
Ato em Brasília marca os três anos dos ataques de 8 de janeiro, mas ausência de líderes do centrão e da direita é notável.

BRASÍLIA, DF - O evento realizado pelo presidente Lula (PT) nesta quinta-feira (8) para commemorara os três anos dos ataques de 8 de janeiro de 2023 contou com a participação reduzida de políticos, majoritariamente alinhados à esquerda. A cerimônia ocorreu no Palácio do Planalto, mas esteve marcada pela ausência dos presidentes da Câmara e do Senado, Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União-AP), respectivamente.
O vice-presidente do STF, Alexandre de Moraes, também não esteve presente. Moraes, que foi fundamental na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de outros aliados no contexto da tentativa de golpe, foi um nome notável fora da lista de participantes. Motta justificou sua ausência ao afirmar que os atos de Lula sobre o tema alimentam as disputas entre petistas e bolsonaristas, buscando evitar um posicionamento em meio a essa polarização.
Além do clima político tenso, o recesso do Legislativo e do Judiciário também contribuiu para a pouca adesão. O evento teve forte presença de movimentos ligados ao PT e PC do B, além de centrais sindicais, mas pouco apoio de figuras políticas de fora da esquerda.
Antes de seu discurso, Lula mencionou que muitos políticos estavam em férias e fez questão de ler os nomes dos presentes, tentando contrabalançar a percepção de um ato esvaziado. Durante a cerimônia, ele vetou um projeto de lei que buscava reduzir as penas de Bolsonaro e outros condenados pela trama golpista, aproveitando a ausência dos líderes do Legislativo para agir com mais liberdade.
Ao classificar o evento como um ato em defesa da democracia, Lula não criticou o Congresso em sua fala. No entanto, apenas um representante do centrão, o deputado Juscelino Filho (União Brasil-MA), e o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-AL) foram vistos na plateia, que era predominantemente composta por parlamentares do PT.
Ministros de Lula minimizaram as ausências. Camilo Santana afirmou que a maioria da população é contrária ao que ocorreu em 8 de janeiro, enquanto Renan Filho ressaltou a importância de manter viva a memória dos acontecimentos. A ausência dos presidentes da Câmara e do Senado ocorre em um momento de reaproximação entre Lula e o Congresso, especialmente após tensões envolvendo indicações para o STF.