Dólar e Bolsa apresentam alta em meio a novas ameaças tarifárias dos EUA
Investidores reagem a possíveis tarifas sobre produtos europeus e suas consequências no mercado financeiro.

O dólar avança nesta terça-feira (20), enquanto o mercado financeiro se mostra atento às recentes ameaças dos Estados Unidos de impor tarifas sobre oito países da Europa. A incerteza em torno de possíveis aumentos tarifários tem levado investidores a buscar ativos mais seguros, resultando na valorização da moeda americana em relação a diversas moedas emergentes.
Às 11h56, o dólar estava cotado a R$ 5,378, com uma alta de 0,27%. Por outro lado, o Ibovespa registrava uma queda de 0,59%, alcançando 165.835 pontos.
As ameaças do presidente dos EUA, Donald Trump, começaram no último fim de semana, quando anunciou a intenção de impor tarifas adicionais de 10% sobre produtos da Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Holanda, Finlândia e Reino Unido. Essas nações já enfrentaram tarifas anteriormente e, segundo Trump, as novas taxas devem entrar em vigor em 1º de fevereiro e aumentar para 25% em 1º de junho, permanecendo até que o país obtenha autorização para adquirir a Groenlândia.
Em resposta, a União Europeia está considerando medidas de retaliação, conforme afirmado pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que garantiu uma resposta “inabalável” e “proporcional” ao que considera uma escalada de tensões.
Os europeus avaliam um pacote de tarifas que afetaria 93 bilhões de euros em importações dos EUA, com potencial para ser ativado automaticamente em 6 de fevereiro. Outra possibilidade é a utilização do Instrumento Anti-Coerção (ACI), que permitiria limitar o acesso a licitações e serviços financeiros.
Os mercados globais, na visão de Robert Schramm Fuchs, gerente de portfólio da Janus Henderson Investors, podem estar subestimando a gravidade da situação. Ele alerta para a complacência do mercado em relação a um possível aumento das tensões.
Enquanto isso, no Brasil, as curvas de juros futuros também estão subindo, refletindo um clima de cautela entre os investidores. A taxa do DI para janeiro de 2028, por exemplo, subiu 0,5%, atingindo 13,2%.
O mercado também está de olho na nomeação do novo presidente do Federal Reserve (Fed), que acontecerá em maio. Trump mencionou a possibilidade de nomear Kevin Warsh ou Kevin Hassett para o cargo, enquanto o secretário do Tesouro, Scott Bessent, indicou que a decisão pode ser anunciada em breve.