Dólar sobe levemente enquanto Bolsa registra queda em meio a investigação sobre Powell
Mercados reagem à abertura de inquérito criminal nos EUA e à pressão política sobre o Fed.

São Paulo, SP - O dólar teve uma leve alta de 0,11% e encerrou o dia cotado a R$ 5,3718 nesta segunda-feira (12). A movimentação dos investidores foi influenciada pela notícia da abertura de uma investigação criminal pelo governo Trump contra Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (Fed), anunciada no domingo (11).
Em contrapartida, a Bolsa de Valores registrou uma queda de 0,13%, fechando a 163.150 pontos, após um dia com pouca movimentação no mercado, devido à ausência de eventos significativos na agenda econômica nacional.
A investigação, que visa apurar se Powell teria mentido ao Congresso sobre a reforma da sede do Fed em Washington, foi vista como uma estratégia do governo norte-americano para pressionar a autoridade monetária a realizar novos cortes na taxa de juros. Tal situação gerou receios em relação à autonomia do Fed.
Em resposta ao inquérito, Powell afirmou que a situação deve ser analisada considerando a pressão contínua do governo. Ele destacou que a definição das taxas de juros deve ser baseada em análises econômicas e não em preferências políticas. O ex-presidente Donald Trump, que já manifestou sua insatisfação com Powell, reiterou em declaração que não vê com bons olhos a atuação do presidente do Fed.
A investigação gerou preocupações no mercado financeiro sobre uma possível interferência maior de Trump nas decisões de política monetária, resultando em uma queda do dólar internacionalmente. O índice DXY, que mede a força do dólar frente a outras seis moedas, caiu 0,23%, atingindo 98.894 pontos.
Além disso, a notícia impactou o mercado de commodities, com o preço do ouro subindo 2% para US$ 4.600 por onça troy e a prata avançando até 5,9%, alcançando US$ 84,60.
Analistas como Ian Lopes, da Valor Investimentos, ressaltam a importância da independência dos bancos centrais, afirmando que a pressão política pode levar investidores a diversificarem seus portfólios, refletindo na valorização de ativos como ouro e prata. Nickolas Lobo, da Nomad, alertou que a incerteza em relação à autonomia do Fed pode tornar ativos americanos menos atrativos.
No Brasil, a segunda-feira foi marcada por uma agenda econômica limitada, com o Congresso em recesso. O boletim Focus do Banco Central indicou que a mediana das projeções para o dólar em 2026 e 2027 manteve-se em R$ 5,50. A expectativa para a inflação em 2026 foi reduzida de 4,06% para 4,05%, enquanto a taxa Selic prevista para o fim deste ano se manteve em 12,25%.
O diferencial entre as taxas de juros dos EUA e do Brasil, que atualmente apresenta uma diferença significativa, continua a ser um atrativo para investidores, contribuindo para a estabilidade do dólar abaixo dos R$ 6,00.