sábado, 7 de março de 2026
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Embrapa e Unicamp utilizam satélites para impulsionar a agricultura familiar no Vale do Ribeira

Estudo alcança 93% de precisão no mapeamento de banana e pupunha, contribuindo para políticas públicas na região.

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Foto: arquivo pessoal

Pesquisadores da Embrapa e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) desenvolveram um estudo que demonstra como as imagens de satélites podem ser uma ferramenta valiosa para o planejamento territorial e o fortalecimento da agricultura familiar em regiões tropicais com grande diversidade produtiva.

A pesquisa, realizada na cidade de Jacupiranga, localizada no Vale do Ribeira, obteve mais de 93% de precisão na identificação de áreas agrícolas e vegetação nativa, utilizando imagens do satélite Sentinel-2 da Agência Espacial Europeia (ESA) em conjunto com técnicas de inteligência artificial.

Os resultados indicam que o sensoriamento remoto pode oferecer uma ampla cobertura territorial, custos reduzidos e alta confiabilidade, mesmo em ambientes tropicais com relevo acidentado e alta umidade.

Agricultura digital como aliada das políticas públicas

Os pesquisadores ressaltam que a geração de informações detalhadas sobre o uso do solo agrícola pode ser um suporte valioso para políticas públicas, ampliando a assistência técnica e fortalecendo programas de desenvolvimento sustentável voltados a pequenos e médios produtores rurais.

O estudo faz parte do projeto Semear Digital, que ocorre no Distrito Agrotecnológico (DAT) de Jacupiranga, e teve seus resultados publicados na revista internacional Agriculture. Victória Beatriz Soares, mestranda em Geografia pela Unicamp e uma das autoras do trabalho, destaca que o Vale do Ribeira é um território estratégico devido à sua diversidade produtiva e socioambiental.

Região combina agricultura familiar e conservação ambiental

No Vale do Ribeira, a agricultura familiar é a base da produção, coexistindo com vastas áreas preservadas da Mata Atlântica. Pequenos lotes são dedicados ao cultivo de banana e pupunha, formando um mosaico produtivo que desafia métodos de mapeamento tradicionais.

Os autores do estudo afirmam que sistemas agrícolas diversificados, como os da região, são mais resilientes às mudanças climáticas e contribuem para a segurança alimentar, geração de renda e conservação ambiental.

Pupunha ganha protagonismo no mapeamento agrícola

Um diferencial do estudo foi a inclusão da pupunha como uma categoria independente no mapeamento digital, prática ainda rara em levantamentos em regiões tropicais. O palmito de pupunha é um dos principais produtos florestais não madeireiros do Brasil e representa uma alternativa sustentável às palmeiras nativas.

Índices espectrais ampliam precisão em ambientes tropicais

Para diferenciar os usos da terra, os pesquisadores testaram vários índices espectrais, destacando o NDWI, que se mostrou mais eficiente do que o tradicional NDVI em ambientes úmidos como o Vale do Ribeira. A combinação de dados sobre vigor vegetativo, umidade e solo tornou o método mais robusto para mapear paisagens agrícolas complexas.

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