Família de Daniel Vorcaro Envolvida em Projeto Irregular de Crédito de Carbono
Investidores de esquema fraudulento movimentam bilhões em fundos de investimento

Documentos revelam que a família de Daniel Vorcaro, banqueiro do Banco Master, está vinculada a um projeto bilionário de créditos de carbono em terras públicas na Amazônia, que apresenta irregularidades na avaliação de seus ativos.
Segundo informações obtidas pela Folha de S.Paulo, os Vorcaro estão envolvidos na exploração de créditos de carbono desde o início, utilizando alavancagem financeira com fundos geridos pela Reag. Esses créditos são adquiridos por empresas para compensar suas emissões de gases, por meio de iniciativas como restauração florestal.
O escândalo se intensifica com a reavaliação de dois fundos sob gestão da Reag, que tiveram seu patrimônio supervalorizado em mais de R$ 45,5 bilhões, com base em unidades de carbono associadas a uma área pública, configurando uma possível fraude.
A conexão da família Vorcaro com o projeto é estabelecida através da empresa Alliance Participações, controlada por Henrique Moura Vorcaro e Natália Bueno Vorcaro Zettel, pai e irmã de Daniel, que negam qualquer irregularidade. Em 2022, a Alliance firmou um contrato que lhe conferiu 80% das unidades de carbono de uma fazenda em Apuí (AM).
As operações subsequentes transformaram a estimativa de carbono da área em cotas de fundos, com pagamentos ao intermediário do contrato, José Antônio Ramos Bittencourt. O projeto inclui também a possibilidade de pagamento por meio de tokens de carbono, embora detalhes sobre percentuais e fundos a serem utilizados não tenham sido esclarecidos.
A investigação aponta que o carbono atribuído à Alliance foi transferido para empresas associadas que inflaram o patrimônio dos fundos da Reag. O esquema é avaliado como uma das maiores fraudes no setor, com as empresas Golden Green e Global Carbon sendo avaliadas em R$ 14,5 bilhões e R$ 31 bilhões, respectivamente, sem a venda de créditos.
Além disso, as operações foram realizadas em terras públicas que não podem ser negociadas, e auditorias aparentemente validaram os valores sem uma verificação adequada. A situação é ainda mais complicada pela ligação das empresas investigadas com um caso de lavagem de dinheiro relacionado ao PCC.
Em resposta, os Vorcaro afirmaram que agem de acordo com a legislação e que não têm envolvimento em atividades ilegais. Bittencourt, o intermediário do negócio, afirmou que o projeto foi interrompido na fase inicial devido a questões fundiárias. A Reag não comentou sobre a situação.