sábado, 7 de março de 2026
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Fevereiro chuvoso compromete o calendário da safra 25/26

Excesso de chuvas atrasa colheita da soja e eleva custos operacionais

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Fevereiro chuvoso compromete o calendário da safra 25/26
Foto: Divulgação

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Com saca em declínio, ritmo da colheita da soja desacelera em MT

Foto: Canal Rural/Reprodução

Fevereiro se inicia com um cenário familiar para os produtores rurais: chuvas intensas que, embora benéficas para o potencial produtivo das lavouras mais tardias, complicam a colheita. Em regiões como Mato Grosso, Goiás e Paraná, os acumulados de chuva superam 100 milímetros.

Do ponto de vista agrícola, a umidade é vantajosa. Porém, do lado operacional, o solo encharcado impede a entrada de máquinas, prolonga a colheita da soja e pressiona decisões que não toleram atrasos.

Com a colheita parada, os custos aumentam rapidamente. A umidade excessiva nos grãos demanda mais secagem, o que implica em maior consumo de energia e tempo, em um momento em que as margens de lucro já estão apertadas. Ademais, a soja que permanece por muito tempo no campo pode perder qualidade, com riscos de apodrecimento das vagens e brotamento dos grãos ainda na planta, resultando em descontos na entrega.

Esse cenário não é uma percepção isolada. Os relatórios da Conab mostram claramente a evolução semanal da colheita, e quando os percentuais começam a estagnar, um sinal de alerta se acende, não apenas para a soja, mas para as culturas subsequentes.

Uma safra abundante não resolve automaticamente os atrasos. A consequência aparece no custo e na qualidade dos produtos. Nesse contexto, a meteorologia assume um papel crucial. Em anos como este, saber se haverá uma pausa nas chuvas por alguns dias pode alterar completamente as estratégias de colheita. Informações meteorológicas não são apenas curiosidade, mas essenciais para decidir se é hora de forçar a entrada das máquinas ou aguardar.

A previsão meteorológica divulgada pelo Canal Rural se destaca por sua consistência e precisão, tornando-se uma referência confiável para os produtores que precisam ajustar suas operações rapidamente, especialmente à medida que a janela de colheita se fecha.

O impacto mais crítico desse atraso será sentido na safrinha de milho. A janela ideal para o plantio em muitas regiões se encerra entre o final de fevereiro e meados de março. Cada dia adicional na colheita da soja empurra o milho para um período mais seco, que se inicia em maio, aumentando o risco de geadas no início do inverno.

Essa situação não se resume a uma discussão sobre produtividade máxima, mas sim sobre a gestão de riscos. O mercado rapidamente reconhece qualquer ameaça à safrinha, especialmente considerando a importância do Brasil como exportador, que pode impactar as negociações no mercado futuro antes mesmo de se refletir no campo.

Em anos de clima instável, o diferencial para os produtores não está apenas na tecnologia ou no volume de produção, mas na habilidade de gerenciar riscos. A escolha do momento certo para colher, a escalonagem de cultivares, o uso de informações climáticas confiáveis e a tomada de decisões no tempo adequado são tão importantes quanto a produção em si.

A safra 25/26 começa a ser moldada agora, não apenas pelo que a natureza oferece