sábado, 7 de março de 2026
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Guilherme Boulos defende fim da escala 6x1 para impulsionar produtividade

Ministro acredita que redução da jornada de trabalho pode beneficiar a economia e os trabalhadores.

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Guilherme Boulos defende fim da escala 6x1 para impulsionar produtividade
Foto: Divulgação

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O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou, em entrevista ao programa Bom dia, Ministro, do Canal Gov, que a eliminação da escala 6x1, que prevê seis dias de trabalho seguidos por um dia de folga, pode resultar em um aumento significativo da produtividade no Brasil.

Boulos apresentou dados de um estudo realizado pela Fundação Getulio Vargas que, em 2024, analisou 19 empresas que adotaram jornadas reduzidas e constatou que 72% delas tiveram crescimento na receita, além de 44% apresentarem melhor cumprimento de prazos. “Essas empresas estão implementando mudanças sem a necessidade de nova legislação”, destacou.

O ministro explicou que a carga de trabalho excessiva pode levar ao cansaço dos funcionários, o que impacta diretamente na eficiência. “Quando o trabalhador chega ao emprego cansado, sua produtividade é afetada. Um descanso adequado pode melhorar o desempenho”, afirmou.

Além disso, Boulos citou a experiência da Microsoft no Japão, que, ao implementar uma jornada de quatro dias de trabalho, registrou um aumento de 40% na produtividade. Exemplos de outros países também foram mencionados, como a Islândia, que, após reduzir a jornada para 35 horas semanais, viu um crescimento de 5% na economia e um aumento de 1,5% na produtividade do trabalho.

O ministro ressaltou que a resistência à mudança muitas vezes se baseia na alegação de baixa produtividade, e questionou: “Como se pode esperar melhorias se não se oferece tempo para capacitação aos trabalhadores?”. Ele também criticou a falta de investimento do setor privado em inovação e tecnologia, que, segundo ele, é um dos fatores que contribuem para a baixa produtividade no Brasil.

A proposta do governo é reduzir a carga horária semanal de 44 para 40 horas, sem diminuição de salários, estabelecendo um formato de trabalho de cinco dias com dois de folga. O projeto está em discussão no Congresso e pode ser votado ainda neste semestre.

Atualmente, tramita na Câmara dos Deputados a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 8/2025, que visa abolir a escala 6x1 e propõe uma jornada máxima de 36 horas semanais.

Embora o projeto enfrente resistência de alguns setores empresariais, que temem aumento nos custos operacionais, Boulos acredita que há uma superestimação das despesas relacionadas à redução da jornada de trabalho. Para as micro e pequenas empresas, um modelo de adaptação será discutido.

O ministro também criticou os juros altos no Brasil, que, segundo ele, pressionam o setor produtivo. “A taxa de juros exorbitante prejudica os pequenos negócios, que muitas vezes estão endividados”, declarou.

A taxa básica de juros (Selic) atualmente está em 15% ao ano, um nível elevado desde 2006. Boulos defende que uma redução é necessária para estimular investimentos e facilitar a operação das empresas.

A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) está agendada para os dias 27 e 28 de janeiro, e o cenário atual exige cautela na política monetária, segundo o Banco Central.

Essa notícia foi escrita com informações da Agência Brasil.