sábado, 7 de março de 2026
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Inovação Tecnológica Revoluciona Cultivo Sustentável da Pimenta-do-Reino

Nova técnica reduz custos e impactos ambientais na produção da especiaria

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Pimenta-do-reino

Foto: Freepik

Uma nova abordagem de manejo está mudando a forma como a pimenta-do-reino, uma das especiarias mais consumidas globalmente e uma importante commodity do agro brasileiro, é cultivada. O Brasil, que ocupa a segunda posição na produção mundial, com o estado do Pará concentrando mais da metade da produção nacional, está adotando um método mais sustentável em busca de competitividade no mercado internacional.

Tradicionalmente, o cultivo da pimenta-do-reino utilizava mourões de madeira, especialmente da árvore acapu, como suporte para as plantas. Esse método, além de custoso, gerava impactos ambientais significativos e conflitava com a legislação que proíbe o desmatamento dessa espécie. Para contornar essa questão, pesquisadores introduziram o uso da gliricídia, uma planta que serve como alternativa às estacas de madeira nativa.

André Kich, diretor da Fuchs Gruppe, explica que a gliricídia oferece autossuficiência ao produtor rural, que pode utilizar suas próprias estacas. Isso elimina a necessidade de desmatamento, uma vez que os produtores agora podem cultivar pimenta-do-reino sem derrubar árvores nativas.

Os benefícios desse novo sistema vão além da preservação ambiental. A gliricídia também contribui para o sequestro de carbono, fixa nitrogênio do ar e melhora a qualidade do solo. Como resultado, a pimenta produzida com esse manejo apresenta melhor aroma, sabor e pungência. Além disso, a longevidade das lavouras e a produtividade aumentam, gerando mais renda para os produtores.

Enquanto uma estaca de acapu pode custar entre R$ 25 e R$ 35, a de gliricídia tem um preço que varia de R$ 3 a R$ 5. Com um plantio médio de até 2 mil plantas por hectare, a economia na implementação do cultivo pode chegar a R$ 50 mil a R$ 60 mil por hectare. Além disso, a adoção desse manejo pode evitar a emissão de aproximadamente 57 toneladas de CO₂ por hectare, preservando as árvores nativas. Considerando que o Pará possui cerca de 17 mil hectares dedicados à pimenta-do-reino, a expectativa é de que essa técnica possa evitar quase 1 milhão de toneladas de CO₂.