Lula busca apoio de Hugo Motta para aprovar fim da escala 6x1
Presidente da Câmara se reaproxima do governo em busca de apoio para sua permanência no cargo

BRASÍLIA, DF - O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está tentando tirar proveito da nova relação com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para impulsionar a aprovação de um projeto de lei que extingue a escala de trabalho 6x1. A administração federal acredita que essa proposta possui um forte apelo popular e pode reforçar a campanha de reeleição do petista nas eleições de outubro.
A reaproximação de Motta com Lula ocorre em meio a sua estratégia para garantir sua continuidade na presidência da Câmara a partir de 2027, ampliando sua influência política na Paraíba. Para isso, ele reativou o diálogo com o líder do PT, Lindbergh Farias (RJ), com quem havia rompido durante uma crise entre a Câmara e o governo no final de 2025.
Lindbergh é quem está liderando as negociações com Motta sobre o fim da escala 6x1. De acordo com fontes próximas ao processo, o líder petista argumenta que o tema possui apoio popular e que, ao pautar e ajudar na aprovação da proposta, o presidente da Câmara pode se destacar como um protagonista. No final do ano passado, Motta já manifestou disposição para discutir a questão, embora sem garantias.
Entretanto, integrantes do governo expressam incertezas sobre a disposição de Motta em enfrentar a pressão que empresários do setor de serviços devem exercer contra a aprovação da proposta. Além disso, mesmo que o presidente da Câmara adira à pauta, não há certeza de que ela será aprovada, visto que Motta possui menos controle sobre o plenário do que seu antecessor, Arthur Lira (PP-AL).
Para setores do governo, trazer a proposta à pauta seria uma conquista significativa. Esses grupos avaliam que se trata de uma questão natural para a esquerda, capaz de pressionar a direita e o centrão perante a opinião pública. O PT poderia usar as redes sociais para divulgar os nomes e fotos dos parlamentares que votassem contra ou não apoiassem a proposta.
Para amenizar a resistência de parlamentares e empresários, o governo de Lula planeja discutir um período de transição até que a escala 6x1 seja completamente banida. A administração federal percebe um clima favorável entre a população e teme perder a oportunidade caso deixe essa discussão para 2027, mesmo diante de uma possível reeleição de Lula.
A proposta de redução da jornada de trabalho surgiu inicialmente por meio de uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) apresentada pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP). Contudo, o governo optou por apoiar uma proposta de lei que tivesse maior chances de tramitação rápida no Congresso. Enquanto PECs exigem dois terços dos votos na Câmara e no Senado, projetos de lei precisam apenas da maioria dos votos em cada Casa.
A proposta apoiada pelo governo é liderada pelo deputado Léo Prates (PDT-BA), relator do projeto, que propõe a redução da jornada de trabalho semanal de até 44 horas para até 40 horas, com dois dias de descanso remunerado. Além disso, a proposta proíbe a redução de salários associada à diminuição da jornada e prevê um período de transição de dois anos para a implementação da nova carga horária.
Se a proposta for aprovada, em 2027 a jornada semanal será de 42 horas, reduzindo para 40 horas a partir de