sábado, 7 de março de 2026
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Lula se fortalece em ano eleitoral, mas desafios com Lulinha e Venezuela podem complicar

O presidente busca consolidar sua imagem de defesa da soberania nacional em meio a riscos políticos

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Lula se fortalece em ano eleitoral, mas desafios com Lulinha e Venezuela podem complicar
Foto: Divulgação

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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) inicia o ano eleitoral com uma postura fortalecida com base em pautas que favorecem a imagem de defesa da soberania do Brasil, além de avanços em sua agenda política que ressoam com seu eleitorado.

No entanto, a realidade atual é bem distinta da enfrentada no início de 2025, quando o governo lidava com uma série de crises de imagem, principalmente relacionadas à disseminação de notícias falsas sobre o sistema de pagamentos Pix. Essa situação foi aproveitada pela oposição, que dominou os debates sobre economia.

Agora, o novo ano traz à tona o risco de a crise na Venezuela e investigações envolvendo o filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, voltarem a ser temas centrais. Também há incertezas na formação de alianças em estados-chave, como Minas Gerais.

Uma investigação da Polícia Federal revelou que uma empresária próxima a Lulinha recebeu R$ 300 mil por meio do lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. A oposição tenta vincular esse caso a um dos principais escândalos que afetam o governo, os desvios de benefícios do INSS.

Em resposta às acusações, Lula defendeu a investigação, afirmando que, se seu filho estiver envolvido, deve ser responsabilizado.

A relação com os Estados Unidos, que se deteriorou após a implementação de tarifas e sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF, permitiu a Lula retomar a discussão sobre soberania nacional, um tema que antes era monopolizado pela direita. Durante as tensões com os EUA, a situação política no Brasil foi explorada, com o ex-presidente Donald Trump utilizando o julgamento de Jair Bolsonaro no STF como justificativa para sobretaxas sobre produtos brasileiros.

Apesar das turbulências, Lula conseguiu atrair elogios de Trump, embora a relação entre os países esteja em um momento delicado após a recente ação militar dos EUA na Venezuela. Embora o governo brasileiro não tenha reconhecido a eleição de Nicolás Maduro em 2024, a proximidade histórica entre os dois é usada pela oposição para criticar Lula e acusá-lo de apoiar um regime autoritário.

Segundo assessores do Palácio do Planalto, a estratégia do governo é evitar que esses temas internacionais dominem os debates eleitorais. A campanha de Lula deve focar nas conquistas de seu governo, destacando os resultados positivos da economia, como a redução do desemprego e o controle da inflação.

A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), ressaltou que o último ano foi positivo, com importantes pautas aprovadas no Congresso, incluindo isenção do Imposto de Renda para a classe média e ações para melhorar o acesso a gás e energia elétrica.

Com um novo slogan, “Do lado do povo brasileiro”, o governo busca reforçar seu compromisso com a justiça tributária e a defesa da democracia, ao mesmo tempo em que se prepara para confrontar o Congresso sobre as emendas parlamentares, tema que tem gerado atritos, especialmente após as limitações impostas pelo ministro Flávio Dino.

Lula também procura construir alianças com candidatos influentes em estados estratégicos, como Tadeu Leite (MDB) e Alexandre Kalil (PDT) em Minas Gerais, e orientou seus ministros a