Lula sugere candidatura de Gleisi ao Senado e gera incertezas na articulação política do governo
Movimentação antecipada indica possíveis mudanças na Secretaria de Relações Institucionais do Planalto.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) solicitou à ministra Gleisi Hoffmann que dispute uma vaga no Senado pelo Paraná, movimentando o debate sobre a liderança da Secretaria de Relações Institucionais (SRI) a partir de abril. A saída de Gleisi do cargo abre espaço para uma nova disputa interna no Partido dos Trabalhadores (PT) em meio às preparações para as eleições de 2026.
Inicialmente, Gleisi planejava concorrer à Câmara dos Deputados, uma opção considerada mais segura para garantir um mandato por mais quatro anos. No entanto, em uma conversa na quarta-feira (14), Lula a incentivou a se lançar ao Senado, conforme fontes próximas ao governo.
A ministra expressou entusiasmo com o que considera uma missão do presidente, embora aliados tenham relatado dúvidas e resistência em torno de sua candidatura. O PT do Paraná, já ciente do pedido, aguarda uma posição oficial de Gleisi para definir sua chapa majoritária.
Tradicionalmente, ministros que deixam seus cargos para concorrer a eleições são substituídos interinamente pelo secretário-executivo da pasta. No caso da SRI, Marcelo Costa, um diplomata com perfil técnico, ocupa essa função. Contudo, há setores do PT que defendem a nomeação de um político mais influente para liderar a articulação política do governo, especialmente em um ano eleitoral.
Nomes de peso estão sendo considerados para assumir o cargo de Gleisi. Entre eles estão os ministros Wellington Dias (Desenvolvimento Social) e Camilo Santana (Educação), ambos senadores eleitos em 2022 e que não precisam se candidatar novamente este ano. A situação de Camilo, no entanto, é incerta, pois ele pode ser candidato ao governo do Ceará, o que poderia impactar a pré-candidatura do líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT).
Guimarães, que já foi cogitado para a SRI, está em seu quinto mandato e manifestou desinteresse em continuar na Câmara, considerando a possibilidade de assumir a articulação política até uma eventual nova candidatura de Lula.
Lula tem afirmado que a eleição de 2026 será diferente das anteriores e pretende acompanhar de perto as mudanças ministeriais que ocorrerão em abril.
Na Casa Civil, a nomeação da atual secretária-executiva, Miriam Belchior, já está em andamento. O ministro Rui Costa (PT) deve sair para se candidatar ao Senado ou ao governo da Bahia, dependendo do desempenho do governador Jerônimo Rodrigues (PT) nas pesquisas.
Interlocutores afirmam que Lula está focado na eleição para o Senado, em resposta à estratégia da base do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que busca fortalecer sua posição na Casa para conter os poderes do STF e dificultar um possível quarto mandato petista.
Entre os ministros que permanecerão em seus cargos durante a campanha, destaca-se Guilherme Boulos (PSOL), titular da Secretaria-Geral da Presidência. O deputado federal licenciado aceitou a condição de permanecer no cargo até o fim do mandato, dado que a secretaria é fundamental para a relação do governo com movimentos sociais. Boulos já havia disputado a Prefeitura de São Paulo e foi derrotado, mas seu nome foi considerado para o governo Lula.