Lula veta emendas e provoca descontentamento no Congresso, mas crise parece distante
Presidente bloqueia R$ 400 milhões em repasses e remaneja R$ 7 bilhões, mas busca evitar tensões com parlamentares.

BRASÍLIA, DF – A recente decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de vetar R$ 400 milhões em emendas e remanejar outros R$ 7 bilhões gerou insatisfação entre os congressistas, mas, segundo avaliações de membros do Congresso e do governo, não deve provocar uma crise imediata entre o Palácio do Planalto e o Legislativo.
Nos últimos meses, já havia indícios de que Lula tomaria essa medida. Durante a votação do Orçamento em dezembro, o governo atuou para evitar que o Congresso aumentasse o valor das emendas, o que poderia comprometer recursos destinados a programas importantes, como o Pé-de-Meia, voltado para ajudar estudantes de baixa renda.
A postura do Executivo em relação às emendas sugere que o presidente poderá vetar partes da proposta mesmo após sua aprovação. Aliados de Lula acreditam ter justificativas sólidas para o veto, visto que os recursos seriam mais úteis em projetos com forte apelo eleitoral.
A relação entre Lula e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), também parece contribuir para que o veto não se transforme em um foco de conflito. No final do ano passado, ambos reforçaram sua aliança após a nomeação de Gustavo Feliciano, indicado por Motta, como ministro do Turismo.
Motta, segundo pessoas próximas, visa manter uma boa relação com Lula em vista das eleições de 2026, buscando garantir apoio para sua reeleição e para a candidatura de seu pai, Nabor Wanderley, ao Senado pela Paraíba, um estado com forte base de apoio ao ex-presidente.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), também tem se reaproximado de Lula, embora em um ritmo mais lento. Desde novembro, quando o presidente indicou o advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no STF, Alcolumbre distanciou-se do petista.
Até o momento, Alcolumbre não demonstrou interesse em revidar o veto presidencial. Enquanto isso, os parlamentares, que estão em recesso, se preparam para retomar os trabalhos em fevereiro, com foco na criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar as fraudes do Banco Master, um tema que também gera controvérsias.
As emendas são um assunto delicado, pois representam o principal meio pelo qual deputados e senadores destinam recursos para obras em suas bases eleitorais, ao mesmo tempo em que comprometem verbas que poderiam ser utilizadas em outros projetos governamentais.
O veto presidencial pode ser derrubado pelo Legislativo, mas essa ação somente poderá ocorrer em fevereiro, após o término do recesso.