sábado, 7 de março de 2026
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Movimento no STF aponta para possibilidade de prisão domiciliar de Bolsonaro

Decisão de mudança de local de detenção é vista como passo inicial para regime mais brando

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Movimento no STF aponta para possibilidade de prisão domiciliar de Bolsonaro
Foto: Divulgação

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(FOLHAPRESS) - Aliados de Jair Bolsonaro (PL) e alguns ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) consideram que a recente decisão do ministro Alexandre de Moraes de transferir o ex-presidente para um novo local de detenção pode ser um primeiro passo rumo à concessão de prisão domiciliar.

Dois membros da corte, pertencentes a grupos distintos, interpretaram a mudança para a unidade conhecida como Papudinha como um indício de que condições melhores estão sendo oferecidas ao político. Eles acreditam que a transição para a prisão em casa pode ocorrer em breve.

Essa avaliação ocorre apesar de não haver sinais claros de que Moraes esteja inclinado a conceder esse benefício a Bolsonaro. Na decisão que determinou a transferência, o ministro enfatizou que a pena não deve ser encarada como uma "estadia hoteleira" ou "colônia de férias", e rebateu críticas feitas pelos filhos do ex-presidente sobre as condições no local.

Bolsonaro está preso após ser condenado por tentativa de golpe de Estado e foi transferido para a Superintendência da PF em Brasília em novembro, após ter tentado violar sua tornozeleira eletrônica, alegando "curiosidade". Médicos atribuíram o incidente a um estado de confusão mental provocado por medicamentos, que, embora seguros, podem causar delírios em casos raros.

Desde sua detenção, a defesa de Bolsonaro tem feito diversos pedidos a Moraes, incluindo solicitações por Smart TV e redução de ruídos. A família do ex-presidente tem levantado preocupações sobre riscos à saúde que ele enfrentaria fora de casa, especialmente depois que sofreu uma queda que resultou em um traumatismo craniano leve.

Um integrante do STF, próximo a Moraes, revelou à Folha de S.Paulo que começou a defender a prisão domiciliar para Bolsonaro, temendo que o Supremo possa ser responsabilizado por possíveis complicações na saúde do ex-presidente. Esse magistrado acredita que será apenas uma questão de tempo até que Moraes se convença de que a mudança é a decisão mais prudente.

Pessoas próximas a Bolsonaro compartilham da mesma opinião, acreditando que outros magistrados podem pressionar Moraes para que ele mude o regime prisional do ex-presidente.

A pressão para a prisão domiciliar aumentou após conversas da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, com membros do tribunal. Michelle se reuniu com Moraes e Gilmar Mendes, enquanto Tarcísio contatou quatro ministros em busca da liberação de Bolsonaro para cumprir pena em casa.

A decisão de transferir o ex-presidente foi influenciada por essas interações. Em suas redes sociais, Michelle afirmou que as novas instalações são "menos prejudiciais à saúde" de Bolsonaro e proporcionam "mais dignidade", embora continue seu esforço para que ele retorne ao lar.

As instalações da unidade no Distrito Federal têm capacidade para quatro pessoas, mas serão ocupadas exclusivamente por Bolsonaro. O espaço possui 65 m², com 10 m² de área externa, e inclui quarto, banheiro, sala, cozinha e lavanderia. A transferência foi interpretada como um gesto do ministro Moraes, que ressaltou na decisão que o novo ambiente permitirá mais tempo de visitas familiares e a realização de atividades físicas em horários flexíveis, além de permitir a instalação de equipamentos para fisioterapia.

O novo local também conta com banheiro com chuveiro quente