MP-SP Investiga Venda de 350 Hectares de Área de Pesquisa Agrícola
Transação de terreno histórico gera polêmica entre a comunidade científica

Foto: APqC
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) deu início a um procedimento investigativo para apurar a venda da Gleba Brasília, uma propriedade de 350 hectares que pertenceu ao estado desde 1910. A transação, realizada em 2024, movimentou R$ 17,1 milhões e foi concretizada através do Fundo de Investimento Imobiliário do Estado de São Paulo, sob a administração da corretora Singulare.
A área, que integra uma fazenda de pesquisa em Pindamonhangaba, no Vale do Paraíba, é considerada parte do patrimônio científico da Agência Paulista de Tecnologia de Agronegócios (Apta), vinculada à Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA). De acordo com a presidente da Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC), Helena Dutra Lutgens, a comunidade científica não foi consultada durante o processo de venda, o que contraria normas constitucionais.
O promotor Tiago Antônio de Barros Santos solicitou à SAA esclarecimentos sobre a audiência pública e a interlocução com as instituições científicas que utilizam a área, além de informações sobre possíveis projetos que possam ter sido interrompidos. O prazo para resposta é de 45 dias.
A deputada estadual Beth Sahão (PT-SP), que solicitou a investigação, critica a negligência do governo em relação à pesquisa ao longo dos anos e ressalta a importância das fazendas experimentais para o futuro da ciência e da agricultura em São Paulo.
A área já havia sido colocada à venda anteriormente, em 2017, mas a APqC conseguiu adiar a transação. A entidade monitora outras 38 unidades de pesquisa no estado, destacando a relevância dessas estruturas para o desenvolvimento regional e a geração de conhecimento.