Novas Cultivares de Uva Potencializam a Viticultura de Inverno no Brasil
Pesquisas indicam nove variedades promissoras para a produção de vinhos de qualidade.

Foto: divulgação/prefeitura de Jundiaí
A Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) apresentou novas possibilidades para a viticultura de inverno no Brasil, com a identificação de nove cultivares de uva que mostram grande potencial produtivo e enológico. Essas descobertas atendem à crescente demanda no mercado nacional de vinhos.
A técnica da dupla poda, utilizada nas pesquisas, possibilita a maturação e colheita das uvas durante o inverno, período considerado ideal para a produção de vinhos de alta qualidade, especialmente em regiões de clima tropical e subtropical. O manejo adequado evita que as uvas sejam colhidas no verão, quando as chuvas excessivas podem afetar a qualidade dos frutos.
Durante sete anos de estudos realizados em um vinhedo experimental no sul de Minas Gerais, foram avaliadas 12 cultivares, sendo cinco safras analisadas. O pesquisador Francisco Câmara, da Epamig, explicou que até 2020, cerca de 80% do vinho produzido no Brasil provinha de apenas duas variedades: a uva Syrah para vinhos tintos e a Sauvignon Blanc para brancos. O experimento iniciado em 2015 teve como objetivo diversificar essa produção.
As novas cultivares incluem quatro variedades brancas e oito tintas, todas com potencial agronômico e enológico. Entre as brancas, destacam-se a Viognier, Marsanne e Muscat Petit Grain Blanc, conhecidas por suas características aromáticas e adaptação ao cultivo de inverno.
A variedade Marselan, oriunda da França, se destacou por sua alta produtividade, alcançando entre 2 kg e 2,5 kg por planta, além de um equilíbrio ideal entre açúcar e acidez. Os pesquisadores afirmam que a Marselan pode competir e até superar a Syrah, sendo adequada para vinhos de guarda e envelhecimento em barris de carvalho francês.