Recorde no Salário de Admissão Atraí Profissionais em Meio à Escassez de Mão de Obra
Alta do salário mínimo e dificuldade de retenção de funcionários impulsionam a remuneração inicial no Brasil.

Em dezembro, a remuneração inicial no mercado de trabalho formal atingiu o maior nível histórico para o mês, impulsionada pela escassez de mão de obra e pelo aumento do salário mínimo. De acordo com dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério do Trabalho e Emprego, o salário médio de admissão com carteira no Brasil subiu 2,5% acima da inflação, alcançando R$ 2.304.
Os dados, analisados pelo economista Bruno Imaizumi, da consultoria 4Intelligence, revelam uma tendência que se destaca especialmente em empregos de menor remuneração, que exigem presença física e têm baixa qualificação. Essas posições enfrentam a concorrência de alternativas mais atrativas para os jovens, como trabalhos informais que oferecem maior flexibilidade e pagamento imediato, como entregas e transporte por aplicativos.
Os hipermercados, que são grandes empregadores no país, apresentaram um salário inicial médio de R$ 1.932 em dezembro, representando um aumento de 5,8% acima da inflação em relação ao mesmo mês de 2024. Já os bares e restaurantes pagaram um salário médio de R$ 1.880, com aumentos reais de 4,4% e 3,7%, respectivamente.
No setor de construção civil, a média de contratação em dezembro foi de R$ 2.340, um crescimento real de 1%. Esses valores são os mais altos já registrados para o mês de dezembro desde que as estatísticas começaram a ser compiladas em 2007.
Com a taxa de desemprego em níveis históricos baixos e uma alta rotatividade no mercado, Imaizumi destaca que a escassez de mão de obra tem levado as empresas a aumentar os salários como estratégia para reter talentos. Além disso, as novas gerações, mais escolarizadas, tendem a resistir a trabalhos que exijam esforço físico, como os da construção civil.
A Sondagem de Escassez de Mão de Obra do FGV Ibre, realizada entre outubro e novembro de 2025, revelou que 18,9% das empresas que enfrentam dificuldades de contratação elevaram salários, um aumento em relação aos 13,7% do ano anterior. A pesquisa também indicou que 36,2% das empresas ampliaram a concessão de benefícios.
Denise de Freitas, gerente de Recursos Humanos do Roldão Atacadista, afirmou que a rotatividade é um desafio constante e que a rede adotou medidas como aumento salarial e flexibilização da jornada de trabalho para reter funcionários. A Cobasi, por sua vez, começou a conceder um segundo domingo de folga por mês.
As perspectivas indicam que o mercado de trabalho continuará em expansão, embora a taxas de crescimento mais moderadas. Imaizumi prevê que os aumentos salariais estarão mais alinhados com a desaceleração econômica que se aproxima.