sábado, 10 de janeiro de 2026
Ao vivo
Política

Ricardo Lewandowski deixa o Ministério da Justiça após gestão marcada por desafios

Após quase dois anos no cargo, ex-ministro do STF enfrenta críticas e projetos pendentes no Congresso

Política2 min de leitura
Ricardo Lewandowski deixa o Ministério da Justiça após gestão marcada por desafios
Foto: Divulgação

Publicidade

Anuncie aqui

(FOLHAPRESS) - O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, anunciou sua saída do cargo nesta sexta-feira (9), encerrando quase dois anos de gestão. A sua passagem pela pasta, que começou com grande expectativa, termina sem uma marca consolidada e com importantes propostas ainda aguardando votação no Congresso.

Em carta de demissão enviada ao presidente Lula (PT) nesta quinta-feira (8), Lewandowski mencionou as limitações políticas e orçamentárias enfrentadas durante seu tempo à frente do ministério.

Escolhido por Lula com a intenção de estreitar os laços entre o governo e o Judiciário, Lewandowski conseguiu cumprir esse objetivo, atuando como uma ponte entre os Poderes em um período de tensões.

No entanto, sua gestão foi marcada por desgastes, especialmente na área de segurança pública. Em 2023, a fuga de dois detentos ligados ao Comando Vermelho no presídio federal de Mossoró evidenciou fragilidades no sistema prisional. Em 2025, uma operação policial no Rio de Janeiro resultou na morte de 122 pessoas, reacendendo o debate sobre a coordenação da política de segurança pelo governo federal.

Entre as principais iniciativas de sua gestão, destacaram-se a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança e o Projeto de Lei Antifacção, ambos ainda em tramitação na Câmara dos Deputados e sem previsão de análise. O governo contava com a aprovação dessas propostas em 2025, ano eleitoral, para responder a críticas da oposição e demandas da sociedade.

Apesar de algumas ações bem recebidas, como a criação do Núcleo de Combate ao Crime Organizado e a implementação de um protocolo para o uso da força, Lewandowski enfrentou críticas por declarações controversas, como a de que "a polícia prende mal e o Judiciário é obrigado a soltar", gerando descontentamento entre profissionais da segurança.

Secretários estaduais relataram que sua gestão foi marcada por avanços e fragilidades, com queixas sobre a falta de diálogo na construção das propostas legislativas. Por outro lado, houve melhorias na gestão financeira e execução de recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública.

O ministério também ampliou o programa Celular Seguro e assinou 21 portarias para a demarcação de terras indígenas, além de desenvolver o programa Pena Justa para enfrentar a superlotação no sistema prisional.

Atualmente, o ministro Durigan está à frente do ministério interinamente até o retorno de Haddad, que pretende deixar o cargo até fevereiro para ajudar na campanha de reeleição de Lula.