sábado, 7 de março de 2026
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Varejistas europeus exigem posicionamento de tradings após saída da Moratória da Soja

Supermercados estabelecem prazo até 16 de fevereiro para que empresas se manifestem sobre práticas ambientais.

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Foto: Aprosoja MT

Grandes redes de supermercados do Reino Unido e da Europa enviaram uma carta, nesta segunda-feira (26), aos líderes globais das principais tradings agrícolas, cobrando um posicionamento formal sobre a recente saída do acordo da Moratória da Soja. No documento, os varejistas informam que começarão a avaliar cada empresa individualmente e estabelecem o dia 16 de fevereiro como prazo para que as companhias se manifestem.

A carta destaca que os supermercados continuarão a exigir a exclusão da soja produzida em áreas desmatadas do bioma Amazônia após julho de 2008, independentemente do fim do acordo coletivo. O documento foi direcionado aos CEOs de empresas como ADM, Bunge, Cargill, Louis Dreyfus Company e Cofco International, com cópias enviadas à ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, e ao presidente-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), André Nassar.

Entre os signatários da carta estão redes como Tesco, Sainsbury’s, Asda, Aldi, Lidl, Marks & Spencer, Morrisons e Ocado. Os varejistas expressaram sua “profunda decepção” com a retirada da Abiove do pacto estabelecido em 2006. Segundo a carta, essa decisão pode enfraquecer os esforços de combate ao desmatamento e comprometer a sustentabilidade dos investimentos na produção de soja no Brasil diante das mudanças climáticas.

O documento também estipula que as tradings devem se manifestar até 16 de fevereiro de 2026, data que será utilizada para avaliar se cada empresa atende aos critérios ambientais exigidos para a manutenção das relações comerciais.

A carta apresenta três pontos principais: no âmbito estratégico, pede que cada trading informe se planeja voltar a aderir à moratória; no campo das políticas corporativas, solicita confirmação de que os compromissos climáticos permanecem os mesmos; e no aspecto operacional, exige um detalhamento dos controles de compra para garantir soja livre de desmatamento.

A pressão dos varejistas segue a confirmação da Abiove, em 5 de janeiro, de que iniciou a desfiliação do Termo de Compromisso da Moratória da Soja, que era um dos principais acordos setoriais estabelecidos no Brasil.

A decisão da Abiove está relacionada à nova legislação em Mato Grosso, que condiciona incentivos fiscais ao cumprimento das leis ambientais, restringindo benefícios a empresas que participem de acordos privados que vão além da legislação federal.

As redes de varejo europeias argumentam que, apesar da saída das tradings, suas regras de compra permanecem inalteradas, barrando soja do bioma Amazônia produzida em áreas desmatadas após 2008. A Moratória da Soja, que foi firmada em 2006, visava evitar a comercialização de soja proveniente de áreas desmatadas, tendo contribuído para a preservação de cerca de 17 mil quilômetros quadrados de floresta.

No Brasil, a saída das tradings foi celebrada por alguns grupos de produtores, que consideraram uma vitória, enquanto organizações