sexta-feira, 2 de janeiro de 2026
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Veto de R$ 160 milhões revela excessos dos fundos eleitorais no Brasil digital

A discussão sobre a necessidade de financiamento público para campanhas ganha novo impulso após veto do presidente

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Veto de R$ 160 milhões revela excessos dos fundos eleitorais no Brasil digital
Foto: Divulgação

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Foto: José Cruz/Agência Brasil.

Foto: José Cruz/Agência Brasil.

O veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a R$ 160 milhões no Fundo Partidário, durante a sanção da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026, reacendeu um debate crucial: é justificável manter fundos bilionários para financiar partidos e campanhas na era digital?

A quantia vetada, embora significativa, perde relevância quando se analisa o contexto. O mesmo Orçamento que discute esse corte contempla um Fundo Eleitoral estimado em R$ 4,9 bilhões para as eleições de 2026, evidenciando um problema maior.

O sistema político brasileiro conta com dois grandes fundos: o Fundo Partidário, que financia o funcionamento cotidiano dos partidos, e o Fundo Eleitoral, destinado exclusivamente às campanhas. Ambos são sustentados por recursos do contribuinte, alimentando uma estrutura que se justifica cada vez menos.

Apesar de o veto parecer um sinal de responsabilidade fiscal, ele não resolve a questão central do financiamento político. O Brasil vive uma era onde a política se tornou uma campanha permanente, impulsionada pela presença constante nas redes sociais e pela facilidade de comunicação. Com um custo de visibilidade reduzido, a manutenção de altos valores de financiamento público se torna questionável.

A análise do veto pelo Congresso será simbólica, pois deputados e senadores terão a oportunidade de se posicionar sobre a ampliação de recursos partidários em um contexto de ajuste fiscal e serviços públicos deficitários. Trata-se de um teste de coerência e coragem.

O debate deve ser pragmático, propondo mudanças na lógica do financiamento público, como a imposição de tetos rígidos para os fundos, maior transparência nas prestações de contas e incentivos à doação de pessoas físicas. O veto de R$ 160 milhões é apenas um gesto inicial; o Brasil precisa decidir se busca um sistema político moderno ou se continuará a financiar uma estrutura obsoleta.